
Com a rápida evolução da pandemia do novo coronavírus, que é um vírus altamente contagioso, rapidamente pessoas que estão no grupo de risco da COVID-19 estão ocupando os leitos de hospitais e precisando de equipamentos respiratórios para obter melhora no quadro ou, em casos mais complicados, conseguir sobreviver. O cálculo é simples: quanto mais pessoas necessitam de auxílio médico, mais os hospitais irão lotar e, consequentemente, menos estrutura estará disponível para receber novos pacientes e salvar suas vidas.
Esses equipamentos usados no tratamento da COVID-19 são chamados de ventiladores mecânicos, que ajudam o paciente a respirar artificialmente, uma vez que a doença prejudica o trato respiratório inferior, que envolve a parte inferior da traqueia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões.
O canal do Youtube Manual do mundo, apresentado por Iberê Thenório, entrevistou a Fisioterapeuta Karina Timenestky do Hospital Israelita Albert Einstein. Ela tirou as pricipais dúvidas das pessoas sobre respiradores ou ventiladores pulomar. Você pode ver essa entrevista no vídeo abaixo do Manual do mundo ou na transcrição do video abaixo.
– [Iberê Thenório] A primeira coisa que eu queria te perguntar é o que que faz exatamente o respirador e porque que ele ajuda tanto assim no momento em que a pessoa está com sintomas graves de coronavírus.
– [Karina Timenestky] primeiramente quando a gente fala do coronavírus, algumas situações se tornam muito graves a ponto de a oxigenação não ser suficiente com o oxigênio que tem no ar ambiente que a gente respira, e o paciente precisa de mais oxigênio porque o pulmão tá muito comprometido. Os outros suportes disponiveis seriam adicionar um catéter no nariz, ou uma máscara que só fornece oxigênio, mas às vezes ela não é suficiente e o paciente precisas de um tubo que passa pela traquéia e leva o oxigênio até o pulmão para fornecer essa ventilação. Você precisa injetar um oxigênio adicional nesse ar inalado porque a concentração de oxigênio no ar ambiente é de 21%, que nesses casos é muito baixa.
A maioria dos ventiladores, além da rede de oxigênio, precisa também estar ligado a rede de ar comprimido que vai fazer uma mistura interna de gases e é possível controlar o percentual de oxigênio fornecido. Alguns outros ventiladores recebem somente oxigênio e a mistura é feita com o ar externo do ambiente.
– [Iberê Thenório] Você falou respirador e também falou ventilador. Qual o nome certo?
– [Karina Timenestky] Na verdade quando se fala da nomenclatura, se fala de ventilação pulmonar ou ventilador mecânico, mas pode-se falar em respirador porque ele ajuda o paciente a respirar, é um termo mais genérico mas de certa forma são a mesma coisa.
– [Iberê Thenório]Algumas pessoas perguntam se existe alguma semelhança com os inaladores que se utilizam em casa, com crianças, sobretudo. Mas é um equipamento muito mais complexo, verdade?
– [Karina Timenestky] Sim, um ventilador é mais complexo porque ele tem um objetivo diferente. O Inalador fornece um fluxo de ar constante que vem do ar e não tem uma oferta de oxigênio adicional. Ele não vai grantir essa entrada de ar no pulmão, diferente do ventilador.
– [Iberê Thenório] Como é o funcionamento básico do ventilador. Você pode mostrar as principais funcões dele?
– [Karina Timenestky] O ventilador mudou muito ao longo dos anos, antes eles eram puramente pneumáticos e funcionavam com válvulas que abriam e fechavam. Mas isso evoluiu ao longo do tempo e o custo dele é elevado porque eles possuem vários microprocessadores internos. Toda informação interna desse ventilador tem dados de monitorização, além de diversas informações numéricas e gráficas. Nesse caso mostrado, por exemplo, é possivel monitorar a curva de fluxo, que mostra como está sendo o fluxo de ar entregue ao paciente, e mostra se o ar que entrou no ciclo está saindo antes do próximo ciclo, para garantir que o paciente não aprisione ar dentro dele, o que seria ruim.
– [Iberê Thenório] O ventilador é um equipamento complicado. Imagino que seja necessário uma qualificação especial para manipular esse equipamento, correto?
– [Karina Timenestky] Sim, médicos e fisioterapeutas estão aptos a manipular o ventilador, mas eles precisam de uma especialização para ter um conhecimento mais profundo dessa técnica e poder realizá-la com segurança. Não é só ter o ventilador em si, mas é preciso ter uma equipe capaz, uma vez que uma juste inadequado pode prejudicar o paciente ao invés de ajudá-lo.
– [Iberê Thenório] Como é feito esse processo?
– [Karina Timenestky] Inicialmente o paciente precisa ser intubado para não sentir um incômodo na hora da passagem do tubo. Existe um balonete no final do tubo que precisa ser insuflado, esse balonete se enche de ar para evitar que o ar encaminhado para o paciente não volte pela parte externa do ventilador ou fique preso no pulmão no momento em que o paciente solte o ar. Ele previne também que qualquer saliva desca e se aloje no pulmão, o que poderia causar uma infecção secundária.
– [Iberê Thenório] Uma dúvida, existe algum efeito colateral quando o paciente é submetido a um ventilador pulmonar?
– [Karina Timenestky] O respirador salva vidas, sim, mas caso ele não seja ajustado da maneira correta ele pode acabar causando uma lesão secundária no pulmão do paciente, que vai machicá-lo justamente pela pressão gerada. Toda vez que um paciente respira, o pulmão dele enche de ar, como se fosse uma bexiga. Uma vez em coma, toda a respiração é controlada pelo ventilador mecãnico e o pulmão torna-se mais duro para ser enchido dificultando a entrada de ar, por isso uma pressão deve ser adicionada para garantir a entrada de ar, o problema é que quanto maior essa pressão, maior o risco de uma lesão ou uma ruptura, como uma bexiga que pode vir a estourar. Outro problema é que quanto mais tempo o paciente fica sob o uso de ventiladores mecânicos, mais fraco fica o diafragma dele, que é principal músculo responsável pela respiração. Pode acontecer que com o tempo e a ajuda do ventilador, esse músculo se torne mais fraco, o que pode levar a uma complicação para depois conseguir retirar o uso do ventilador de maneira adequada. Esse paciente precisará de uma reabilitação prolongada devido a esse enfrquecimento. Por esses motivos, o ideal é evitar o máximo possível o uso de ventiladores mecânicos, somente utilizá-los em ultimo caso. É necessario ter uma boa indicação para o uso deles e quanto antes parar de usar, melhor.
– [Iberê Thenório] E como funciona o sistema de filtragem? Existe alguma maneira de garantir que o ar que entra pelo ventilador é limpo e também o ar que sai do respirador de um paciente não contém nenhum vírus e esse virús não se espalhe pelo ambiente?
– [Karina Timenestky] É recomendado um filtro para umidificar o ar que entra para o paciente e também é utilizado um filtor de barreira que filtra bactérias e vírus evitando a contaminação tanto do paciente como do aparelho. É utilizado também um filtro de barreira proximal para filtrar o ar expelido pelo paciente antes da entrada do aparelho.
– [Iberê Thenório] Como é feita a limpeza do ventilador uma vez que ele deixa de ser utilizado em um paciente e passa para outro?
– [Karina Timenestky] O aparelho é higienizado por fora utilizando produtos de limpeza específicos para ambiente hospitalar, para descontaminar o aparelho. Outra coisa é o circuito, esse circuito que é a parte conectada ao paciente ela é descartável, então não existe risco. Em algumas situações esse circuito pode ser reutilizável, messe caso ele é encaminhado a uma central de desifecção para que possa ser utilizado no próximo paciente com segurança. O tubo que vai no paciente, ele é de uso individual e é descartado após o uso.
– [Iberê Thenório] Alguns projetos tem utilizado um ambú, você pode explicar melhor qual a função desse ambú, aquela bexiga que coloca na face da pessoa? Isso pode ajudar mesmo ou substituir um ventilador?
– [Karina Timenestky] Esse ambú é um conjunto de bolsa-máscara-válvula, onde a gente aperta e é gerado um volume de ar que está conectado na máscara e gera uma ventilação ou um fluxo de ar para o paciente. Então existe essa possibilidade de utilizar esse ventiladores porque a produção deles é mais rápida e necessita de menos recurso. A principal diferença dele para os ventiladores utilizados na terapia intensiva é que esses ultimos possuem ajustes finos de parâmetros. Existe inclusive um modelo desenvolvido pela USP que possui um ajuste de pressão mais detalhado da oferta da pressão na hora que o paciente expira. Outra grande diferença é a possibilidade de montorizaão do que está acontecendo com a entrada de ar e a pressão intena. Então o ambú pode ser utilizado mas em situações de emergência, ele não vai substituir completamente o ventilador mecânico.
– [Iberê Thenório] É possível que duas pessoas ou mais possam compartilhar o mesmo ventilador, uma vez que existe uma indisponibilidade desses equipamentos nesse momento?
– [Karina Timenestky] Não tem como duas pessoas utilizar o mesmo equipamento ao mesmo tempo. Entra no que falamos antes, que não conseguimos ter essa monitorização individual.
– [Iberê Thenório] O ventilador possiu algum sistema de backup, como bateria?
– [Karina Timenestky] Normalmente os ventiladores possuem uma bateria interna, com capacidade aproximada de 30 minutos. Além disso, normalmente os hospitais possuem geradores, não só para o ventilador mas para vários outros equipamentos que precisam estar ligados todo o tempo.
– [Iberê Thenório] Uma dúvida que eu tehho é se a pessoa está consciente no momento em que é entubada, porque deve ser algo incômodo, não?
– [Karina Timenestky] O ideal é que o paciente esteja sedado, para garantir que o ar esteja entrando adequadamente e que o organismo não brigue com essa entrega e também para dar repouso ao paciente até que as coisas se resolvam.
– [Iberê Thenório] Como a pessoa come e bebe água quando ela está etubada?
– [Karina Timenestky] Geralmente os pacientes recebem a nutrição por uma sonda que passa pelo nariz e vai para o estômago e ele também recebe medicações por catéteres que sempre vão com algum grau de líquido e mantêm a hidratação do paciente.
– [Iberê Thenório] Como saber o momento que a pessoa não precisa mais do ventilador e que ele pode ser retirado?
– [Karina Timenestky] É feita uma avaliação clínica do paciente, os exames de sangue, exames de imagem e outras informações, além da reação do paciente quando a sedação é diminuída, pode se avaliar se ele está respondendo da forma esperada. Os sensores do ventilador percebem que o paciente está tentando respirar por conta própria, então ele diminui a sua intensidade para ajudar o paciente a respirar melhor sozinho e fazer a transição para a respiração independente. Uma vez que o paciente esteja respirando bem sozinho com ajuda mínima do ventilador e os exame clínicos são favoráveis, o ventilador é retirado.
– [Iberê Thenório] Muito obrigado, as pessoas vão ter uma noção muito melhor agora sobre o funcionamento d eum ventilador pulmonar, do porque ele é tão caro e porque ele é tão necessário nos casos de coronavírus. Eu agradeço muito a disponibilidade de vocês.

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